Arquivo do mês: fevereiro 2015

COMO “ESCUTAR” A CENA DO CRIME – UM POUCO DE GROTHENDIECK NA CIÊNCIA FORENSE – Pelo Perito e Especialista em Direito Eletrônico – Fernando De Pinho Barreira



                     O universo da investigação e da perícia criminal, em um primeiro plano, raramente remete à paz. 

                     Há quem procure ver nas atividades compreendidas entre a análise de cenas de crime, no uso da criminologia e de outras ferramentas Investigativas, um jogo nebuloso de busca ao criminoso, carregado de alguma emoção, quando de facto se está a tratar de ciência aplicada. 

                     Grothendieck – o mais significativo matemático de nossa época, e também um pacifista – disse que “A qualidade da imaginação de um pesquisador se mede pela qualidade da atenção com que ele escuta a voz das coisas”. 

                     Eu sempre entendi a ciência forense como um primeiro instrumento de pacificação, de restabelecimento da desarmonia criada pelo crime praticado. 

                      O pensamento de Grothendieck quanto à matemática aplica-se sobremaneira ao pesquisador forense: é preciso saber “ouvir” e ler a cena do crime. E a “qualidade” do trabalho produzido estará em muito voltada à essa capacidade. 

                       As ferramentas forenses, hoje em um estágio de grande sofisticação, bem como os bancos de dados bastante completos, convidam a olvidar do estudo holístico da cena do crime, enfatizando a coleta e análise de evidências e o cruzamento das informações obtidas. 

                       Um caminho certo ao êxito – ainda utilizando-se de Grothendieck – é deixar-se a “maturar” as diversas informações, sem privilegiar o emprego das ferramentas como “força bruta” (e cega) na análise forense. 

                         O raciocínio e a humanização evitam uma robotização da investigação forense criminal, por subordinar o uso das ferramentas forenses – instrumentos de análises de partes, que são – à capacidade de abstração do investigador.