Arquivo do mês: março 2015

REPUTAÇÃO ON-LINE E O CANIBALISMO VIRTUAL – pelo Perito e Especialista em Direito eletrônico Fernando De Pinho Barreira





             Não é nova a discussão sobre os inconvenientes da utilização das publicações nos meios eletrônicos e, sobretudo, nas redes sociais.

             Tendo acompanhado, como profissional, o surgimento, o desenvolvimento e a popularização da Internet, preocupou-nos atentar sempre para que não se viesse a demonizar o meio – a nova plataforma de comunicação – sendo esta apenas um reflexo algo mais acessível dos valores da própria sociedade contemporânea.

              Neste contexto, pergunta-se o porquê do sucesso das redes sociais. A resposta parece ser a busca pela popularidade, o desejo de tornar-se uma nova celebridade (ou sub-celebridade), o desejo de ser considerado ou, simplesmente, “curtido”. 

             Mas talvez essa busca tenha raízes mais profundas: o desejo de aceitação. Em uma sociedade onde é impossível absorver-se a grande quantidade de informações disponíveis, o perene cede lugar ao fugaz, o estável ao novo, o pessoal ao impessoal, o seguro ao instável.

              O conjunto de informações eletrônicas disponíveis sobre uma pessoa passa, nesta realidade, a determinar a medida de sua aceitação social, profissinal e, até, pessoal. É o que chamamos de Reputação On-line.

             A reputação On-Line de uma pessoa é constituída pelo conjunto de postagens, citações, fotos e vídeos sobre ela, publicados em meios eletrônicos. Isto seja na Internet em geral, nas redes sociais, através de e-mails e comunicadores instantâneos. 

             São cotidianos os casos de pessoas vitimadas por publicações de terceiros, por pessoas então íntimas que depois tornaram-se desafetos, ou mesmo, vítimas de suas próprias postagens.

             Seja qual for a motivação que leva alguém à uma verdadeira maldade de difamar uma pessoa nos meios eletrônicos, ou mesmo a infelicidade momentânea que leve uma pessoa a publicar algo que venha a lhe causar problemas em sua própria reputação on-line, fato é que a dimensão do caso e, consequentemente, do prejuízo, é dada pela ação de terceiros.

              Quando a publicação torna-se “viral”, isto ocorre pela ação de alguns apaixonados pela questão (anônimos ou famosos) que acaloram a discussão e propagam a publicação – sejam contra ou a favor do teor da publicação – isto normalmente traz consequências danosas ao autor da postagens.

                       Casos recentes, como o da norte-americana que, nas escalas de seu vôo rumo à África, realizou postagens sobre ingleses, e os próprios africanos, sendo demitida antes que seu vôo chegasse ao destino , ilustram bem os danos de uma postagem irrefletida quando é retransmirida por pessoas intolerantes (apesar desta executiva ter somente 176 seguidores no Twitter, sua mensagem correu o mundo em apenas algumas horas, sendo retransmirida a milhares de pessoas).

                          Não é raro que, após destruírem a reputação on-line – e a vida – do autor da postagem, a turfa digital se volte contra aquele que retransmirida a mensagem tirando-a de contexto, causando nova destruição de reputação.

                            Em quaisquer dos casos, verifica-se que a busca por aceitação acaba por ser predatória e cruel, sendo mais do que justificável que seja refeita a reputação on-line dos prejudicados, retirando-se todo o conteúdo negativo e criando-se novos conteúdos que venham a expressar a verdadeira personalidade daquela pessoa.

                     Nao basta à vítima, portando, se esconder, seja excluindo suas redes sociais ou fingindo que os buscadores como o Google (e seus índices para conteúdos negativos sobre aquela pessoa) deixaram de existir. É preciso retomar a vida on-line sem medo e sem ônus, para poder ter dignidade na vida social como um todo.


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