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SOBRE STALKERS – Pelo Perito Fernando De Pinho Barreira

No estudo da criminologia, tenho me dedicado ao perfilamento criminal, notadamente aos perfis de hackers e de fraudadores empresariais mas, também, de serial killers e stalkers.

Sobre estes últimos, em dados de 2009, de 2 a 13% dos homens e de 8 a 32% das mulheres diziam-se vitimados por stalkers em algum momento de suas vidas e, em muitos casos, as vítimas eram perseguidas por alguém que elas conheciam.

Este mesmo estudo revelava, ainda do ponto de vista das vítimas, que 36.6% consideraram como motivação das perseguições, desejos de retaliação, raiva ou inveja; 32,9% por desejo de controle do agressor sobre suas vítimas e 23,4% consideraram as perseguições como originadas pela instabilidade mental do stalker.

É seguro afirmar que temos registrado uma evolução dos casos de perseguição, muitas vezes perpetuados sim por conhecidos, frequentemente através de redes sociais e que, se não forem contidas, invariavelmente evoluem de gradação.

Este tipo de violência, embora possa parecer, à primeira vista, inocente, termina por causar diversos transtornos para as vítimas, evoluindo para outros tipos de violência, como perseguições convencionais e até violência física.

Assim como em outras modalidades criminosas, na perseguição não há vítimas culpadas, não havendo justificativa para não se respeitar o livre arbítrio do outro, garantindo-se assim, nas redes sociais ou na sociedade em geral, uma convivência social harmoniosa e pacífica. #criminology #criminologia #investigacaocriminal #fernandodepinhobarreira #csi #perito #especialista #direito #peritocriminal #criminalistica #stalker #stalkers


Palestra do Perito Fernando De Pinho Barreira na Universidade de Caxias do Sul – UCS de Bento Gonçalves

Palestra do Perito Fernando De Pinho Barreira na Universidade de Caxias do Sul – UCS de Bento Gonçalves O USO DA CRIMINOLOGIA NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL  #UCS #CARVI #bentogoncalves #guiadebento #universidade #caxiasdosul #palestra #FernandoDePinhoBarreira #perito #aulamagna #especialista #direitodigital


COMO “ESCUTAR” A CENA DO CRIME – UM POUCO DE GROTHENDIECK NA CIÊNCIA FORENSE – Pelo Perito e Especialista em Direito Eletrônico – Fernando De Pinho Barreira



                     O universo da investigação e da perícia criminal, em um primeiro plano, raramente remete à paz. 

                     Há quem procure ver nas atividades compreendidas entre a análise de cenas de crime, no uso da criminologia e de outras ferramentas Investigativas, um jogo nebuloso de busca ao criminoso, carregado de alguma emoção, quando de facto se está a tratar de ciência aplicada. 

                     Grothendieck – o mais significativo matemático de nossa época, e também um pacifista – disse que “A qualidade da imaginação de um pesquisador se mede pela qualidade da atenção com que ele escuta a voz das coisas”. 

                     Eu sempre entendi a ciência forense como um primeiro instrumento de pacificação, de restabelecimento da desarmonia criada pelo crime praticado. 

                      O pensamento de Grothendieck quanto à matemática aplica-se sobremaneira ao pesquisador forense: é preciso saber “ouvir” e ler a cena do crime. E a “qualidade” do trabalho produzido estará em muito voltada à essa capacidade. 

                       As ferramentas forenses, hoje em um estágio de grande sofisticação, bem como os bancos de dados bastante completos, convidam a olvidar do estudo holístico da cena do crime, enfatizando a coleta e análise de evidências e o cruzamento das informações obtidas. 

                       Um caminho certo ao êxito – ainda utilizando-se de Grothendieck – é deixar-se a “maturar” as diversas informações, sem privilegiar o emprego das ferramentas como “força bruta” (e cega) na análise forense. 

                         O raciocínio e a humanização evitam uma robotização da investigação forense criminal, por subordinar o uso das ferramentas forenses – instrumentos de análises de partes, que são – à capacidade de abstração do investigador.


Perícia e Investigação Criminal – Ferramentas, Método e Raciocínio – Fernando De Pinho Barreira

A investigação forense criminal moderna depende, em boa parte, do conhecimento posto em prática de acordo com a situação específica; do uso de métodos e ferramentas forenses como a criminologia e do estudo de cenas de crime; e, em uma boa medida, da capacidade de discernimento do perito em adequar método, ferramentas e técnicas aos objetivos da investigação.

Diante do dinamismo e diversidade dos ataques, não basta ao profissional o conhecimento do uso e do alcance das ferramentas forenses de mercado: faz-se necessário o conhecimento dos fundamentos da matéria, permitindo ao perito proporcionar soluções novas para novas dificuldades. É o conhecimento posto em prática.

O mesmo se aplica às ferramentas forenses: nem sempre pode bastar submeter as evidências às ferramentas forenses pré-formatadas e, no caso da investigação, situações como estas são ainda mais comuns.

Quando isto se dá, pode ser uma vantagem aliar ao conhecimento dos fundamentos da matemática, telecomunicações e informática, alguma habilidade em programação.

A capacidade de poder construir rapidamente ferramentas específicas, adequadas ao caso em questão, podem significar a diferença entre conseguir encontrar a autoria do ilícito ou produzir apenas um laudo previsível.

A tecnologia e, consequentemente, a atividade criminosa inovam para se perpetuar e o perito deve ter consciência de que a atividade forense, embora norteada pelo sólido conhecimento clássico, requer visão holística e idéias novas.

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A Sociologia, Criminologia e Vitimologia na Investigação Criminal e na Aplicação da Justiça

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                  Ganho de minha família “Pensadores que inventaram o Brasil” – Cia. das Letras – 2013, 329 pags. – de Fernando Henrique Cardoso, o único que não tinha deste autor. Minha irmã mo entrega dizendo ser “_Um livro do sociólogo, não do político.” Fiquei feliz. O livro é uma aula – ou muitas delas – um curso sobre o panorama da formação intelectual do Brasil.

 

                      Fernando Henrique Cardoso foi uma das influências mais marcantes de minha formação intelectual. Através dele e de Alain Touraine fui apresentado ao pensamento sociológico moderno.

 

                       Academicamente, pude flertar com esses estudos na Faculdade de Administração e, algum tempo depois, nas Ciências Jurídicas. Os dois anos iniciais, de estuos e indicações literárias sociológicas e econômicas e, naturalmente, do pensamento jurídico foram um privilégio e autores como Max Weber, Durkheim, Marx entraram com alguma coerência no meu pensamento.

 

                     Na vida em sociedade e, sobretudo, no trabalho dos operadores do direito, é possível melhor compreender os fatos sociais – como a atividade criminosa – com uma visão holística.

 

                       Esta visão não só permite uma humanização dos agentes envolvidos na atividade como facilita o trabalho investigativo e, mais tarde, a ponderação na condenação.

 

                       Isto porque a sociedade avança nos aspectos morais, mas principalmente no aspecto tecnológico, e não raro algumas das motivações criminosas de séculos atrás sobrevivem inalteradas.

 

                        O trabalho investigativo é bastante privilegiado pelo estudo sociológico e de outras ciência como a Criminologia e a Vitimologia, sendo que ferramentas como o perfil do criminoso e suas concentrações regionais, características de associações criminosas e outras são de grande auxílio na resolução da autoria dos ilícitos.

 

                        Na aplicação da justiça, a compreensão sociológica é desejável, pois o magistrado – e mesmo os outros operadores que tratam com os envolvidos no ilícito, seja na fase de inquérito como na ação penal – devem figurar como isentos, livres de seus próprios preconceitos e formações. Atuando como figuras conscientes da realidade de sua época, de seu país, de sua região.